18 março 2014

Resenha | Putrefação, Andrei Simões



Sinopse: Do Dicionário Aurélio: "Putrefação [Do lat. putrefactione] 1. Decomposição das matérias orgânicas pela ação das enzimas microbianas. 2. Estado de putrefação: apodrecimento, corrupção." Mas esta palavra pode alcançar significados que vão muito além dos literalismos.
Um homem consciente e preso ao seu corpo, apodrecendo a sete palmos enquanto tenta lembrar de uma vida que ele, de fato, nunca teve. Nesta condição grotesca, uma história de amor das mais belas é contada. Esta é a premissa deste livro, escrito dentro dos moldes clássicos do realismo fantástico. A narrativa crua, minimalista, e às vezes cruel, transcende uma possível história de maor e terror aglutinados. Putrefação é uma obra de horror xistencialista tão profunda quanto os mais gigantescos abismos filosóficos. Um livro moderno e intenso, uma metáfora sobre a condição humana contemporânea, um retrato sobre a omissão e a ausência de fé em nossas próprias existências.
Em uma época de alienação literária, musical e religiosa, Putrefação surge como um livro que incita o leitor a alcançar regiões profundas de sua mente, que provoca e resgata o poder ativo e reflexivo da arte literária. No final das contas, uma história sobre paixão e outras doenças do homem. Atreva-se. Ouse abrir este livro e se entregue ao desafio.



 


Autor: Andrei Simões
Editora: Novo Século
Páginas: 96
Tipo: Livro




Minha Opinião:

 Peguei esse livro no finzinho da bienal, estava tentando gastar as ultimas migalhas de reais que tinha no bolso e  foi o primeiro que li ao chegar em casa. Putrefação, conta a historia de um morto – ou quase morto – que fala de sua percepção, visão e sonhos enquanto se decompõe no caixão.

 Gótico, excêntrico e incomum. Ler putrefação é como ler a agenda pessoal ou caderno de pensamento de alguém, essa sensação deu-se principalmente não só por suas exatas 96 páginas, mas também por parecer está dentro da mente ou sonho de alguém.

 Não me recordo o nome do personagem e lendo superficialmente não encontrei, entretanto, ele descrever de maneira que jamais pude minha peculiar e particular aversão a figura assombrosa e enigmática que se esconde por baixo de uma maquiagem repulsiva – odeio palhaços.

 (...) Eram exatamente idênticos. Seus macacões de cetim grosso azul reluziam naquela quase escuridão, e seus rostos, completamente recheados pelo pó branco típico, que dá a aparência não humana a este estranho arquétipo da alegria humana. Mas o aspecto assustador era delineado pela cor vermelha, que formava o maldito sorriso. Existe algo mais assustador que um sorriso pintado e imutável? Tenho certeza absoluta de que, quando olhavam para mim, seus rostos psicóticos se escondiam embaixo dos quilos de maquiagem e daqueles malditos sorrisos permanentes, falso como tudo que é permanente. (...) Página 24

 Todo livro é narrado em primeira pessoa o que foi uma ideia maravilhosa do autor pois, maximiza a sensação de tratar-se de uma experiencia pessoal e verídica. Ele fala numa conversa direta com o leitor nos chamando de “Aquele Que Lê”.

 No prefácio, acompanhamos uma pequena descrição que nos fala de desesperança, dor e morte, nessa respectiva ordem e ao final nos deseja boa sorte, como se o que nos esperasse fosse a verdadeira “essência do mal”. Deveras que ao concluir a leitura me senti consumida por um turbilhão de sentimentos desprezíveis e aleatórios e o que mais me surpreendeu é que realmente me senti desesperançosa. Sabe quando você repete uma palavra várias vezes até que ela perca o sentido e você flutua como se estivesse em um paradoxo? Foi bem assim!

 Contudo, gosto de livros que me dão sensações intensas e diferentes e não tenho do que reclamar só não recomendaria Putrefação para pessoas com perfil depressivo, talvez esse turbilhão emocional de “nada” o consumisse. Adorei o livro tudo nele – inclusive as poucas páginas – estava na medida certa, só não o recomendo para leitura, acredito que não seria apreciado da forma correta.



Beijos, Milla Almeida.

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2 comentários:

  1. Poxa ainda não li esse livro mas parece ser bacana!

    Flor indiquei seu blog em uma tag: http://meudiariojk.blogspot.com.br/2014/03/tag-doencas-literarias.html#

    Beijos!!!

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    1. Ahhhhh... adorei obrigada! Vou responder o quanto antes!!

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