22 janeiro 2017

[Resenha ] Menina Má




"Rhoda vai destruir a todos nós. Na verdade, eu também não escapei. Na hora certa, ela vai nos destruir a todos.”


Autores: William March e Simone Campos 
Editora: Darkside
N° de páginas: 272
SinopsePublicado originalmente em 1954, MENINA MÁ se transformou quase imediatamente em um estrondoso sucesso. Polêmico, violento, assustador eram alguns adjetivos comuns para descrever o último e mais conhecido romance de William March. Os críticos britânicos consideraram o livro apavorantemente bom. Ernest Hemingway se declarou um fã. Em menos de um ano, MENINA MÁ ganharia uma montagem nos palcos da Broadway e, em 1956, uma adaptação ao cinema indicada a quatro prêmios Oscar, incluindo o de melhor atriz para a menina Patty McComarck, que interpretou Rhoda Penmark. 

  Rhoda, a pequena malvada do título, é uma linda garotinha de 8 anos de idade. Mas quem vê a carinha de anjo, não suspeita do que ela é capaz. Seria ela a responsável pela morte de um coleguinha da escola? A indiferença da menina faz com que sua mãe, Christine, comece a investigar sobre crimes e psicopatas. Aos poucos, Christine consegue desvendar segredos terríveis sobre sua filha, e sobre o seu próprio passado também.

  MENINA MÁ é um romance que influenciou não só a literatura como o cinema e a cultura pop. A crueldade escondida na inocência da pequena Rhoda Penmark serviria de inspiração para personagens clássicos do terror, como Damien, Chucky, Annabelle, Samara, de O Chamado, e o serial killer Dexter.


Inenarrável


A constância com a qual refleti sobre os possíveis destinos das personagens e as idéias que elaborei sobre o fim do livro se quer chegaram perto da frustração tive ao terminar a leitura. Não me entenda mal, eu amei o livro e foi justamente esse sentimento final que o cicatrizou eternamente na minha memória. 

Quem lê a sinopse da obra já sabe que não haverá mistérios sobre o real culpado aos crimes que virão a acontecer, o que realmente entorpece o leitor com raiva e inacreditáveis sentimentos violentos é a estupidez da Sra. Christine e a constante negação aos fatos. Não obstante, me questionei durante toda a leitura sobre a apatia da personagem Rhoda, incrédula a suas atuações tão convincentes.

Em busca de formas para lidar com os homicídios deliberados cometidose pela filha, e sem contagem para compartilhar os acontecimentos ela, Christine, em busca de respostas, justifica suas atitudes e comportamentos como pesquisa para um novo projeto. Christine passa a romantizar a sua vida como cenário de um novo romance que bisca escrever. Nessas buscas,faz descobertas chocantes sobre sua história.

O que verdadeiramente encomenda é a fraqueza da personagem e mais ainda, a consciência da mesma de suas limitações sem qualquer desejo de mudar. Tentei justificar o comportamento da personagem e sua natureza pela época em que a história ocorre, mas tenho certeza de que não fui eu nem serei a única leitora a não saber lidar com o vitimismo da personagem. Por outro lado, Rhoda, é a personagem que tem todas as características de um adorável vilão e um perigoso sociopata. 

A leitura acaba desenrolando sem que perceba-se e somos tragados pelas ações e descobertas a cada página. Como mencionei, não é a descoberta do culpado que nos prende, mas a maneira como os persondagens irão lidar com aquilo e até que proporções podem chegar.

Apesar de ter amado o livro, o final é o que me levou a completa frustração.

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